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Eu não pedi isso, mas já que você(s) insiste(m)…

  • Foto do escritor: Ivan Sasha Viana Stemler
    Ivan Sasha Viana Stemler
  • 20 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Eu não sei como eu fui parar lá: eu só tenho (3)6 anos!


“Não, cara, você não tá entendendo, a escrita é o refúgio de quem não se sente compreendido pelo mundo e…” Ahhhh, cala a sua boca!...
“Não, cara, você não tá entendendo, a escrita é o refúgio de quem não se sente compreendido pelo mundo e…” Ahhhh, cala a sua boca!...

Aliás, eu sei: uma aluna minha olhou pra mim com aquela fé irresponsável que só gente muito jovem e muito talentosa consegue ter — e disse, com todas as letras:


“Professor, você tinha que ir pro Substack.”


E veja bem…


Isso é exatamente o tipo de conselho que eu não deveria seguir.


Mas eu sigo.


Por quê?


Porque aparentemente minha vida inteira tem sido isso: alguém olha pra mim, vê um potencial que eu não enxergo, e eu penso


“pior que… talvez dê mesmo”.


E aí eu fui pra lá aqui.


Pra plataforma badaladinha onde todo mundo parece escrever como se tivesse passado no vestibular da melancolia elegante — enquanto eu mal passei na recuperação do semestre.


Mas existe algo bonito (e perigosíssimo) em ser visto por alguém.


De um jeito torto, mas limpo.


De um jeito que a gente não pediu, mas que mexe com alguma engrenagenzinha interna que você achava que tinha ferrugem demais pra girar.


Essa aluna — uma das minhas favoritas — vive dizendo que eu devia “lançar meu trabalho no digital”.


Eu não tenho a menor ideia do que isso significa.


Meu trabalho é, em essência, sobreviver…

…e fazer meme enquanto sobrevivo…

…e tentar ensinar design pra jovens que já chegam prontos pra ensinar coisa muito melhor de volta.


Mas aí, num lapso de insanidade inspirado por ela, decidi fazer um Substack.


Um espaço onde, aparentemente, escritores do mundo inteiro vêm depositar suas angústias premium.


Onde as pessoas escrevem como se tivessem recebido uma bolsa de estudos pra se sentirem especiais.


E eu aqui.


Um designer cansado, professor lascado, pesquisador acidental de IA, pai de cinco, ex-CEO de MEI (segura esse glamour), escrevendo porque… sei lá.


Porque alguém acreditou antes de mim. Porque eu precisava fazer alguma coisa com esse impulso. Porque, no fundo, eu gosto desse ofício de falar besteira com estilo.

E porque eu percebi que talvez a gente não escreva porque está inspirado. A gente escreve porque está exausto demais pra continuar calado. E exaustão, meu amigo… essa sim cria literatura.

Então este é o meu Substack. (https://sashastemler.substack.com)

Mas também é o meu blog, que você tá lendo agora.

Mas também sou eu sentado num canto do meu quarto-escritório conversando com quem quiser ler.(Gente de verdade, por favor, não aquelas multidões fingidas do LinkedIn que vivem agradecendo oportunidades abusivas como se fosse redenção espiritual.)

A proposta é simples, e vocês daqui já conhecem: crônicas do caos.

Textos que provavelmente não vão mudar o mundo, mas podem te fazer rir no meio de um colapso existencial. (Se te fizer rir e chorar ao mesmo tempo, aí é Pulitzer.)

Vou falar de design?


Vou.

(Eu já falo, vocês aqui do blog sabem, mas esse texto tá no substack lá pros hipsters, ai eles precisam saber) Mas vou falar como quem fala de um parente complicado — que você ama, mas que pega no seu pé, te humilha levemente e ainda pede favores no domingo.

Vou falar de docência, de alunos brilhantes que não acreditam neles mesmos, de alunos medíocres que acreditam até demais, e dessa profissão que mistura pedagogia com atuação, terapia e stand-up.

Vou falar de IA, claro — afinal, todos os textos que vierem parar aqui foram escritos com um robô que sabe demais e sente de menos.(E a todos eles foram editados por alguém que sente demais e sabe de menos.)

Somos parceiros nesse crime.

E, no meio disso tudo, vou falar sobre fracasso — porque fracasso é meu idioma nativo.

E também sobre carinho — porque, apesar de tudo, eu ainda acredito que o mundo não desaba totalmente quando você escreve algo honesto.

Mesmo que ninguém leia. Mesmo que só um aluno leia. Mesmo que só eu leia.

Enfim.

Se você me encontrou pelo blog:

olá, agora também existo no Substack — mas não se preocupe, sou o mesmo desastre de sempre.

Se você me encontrou pelo Substack:

olá, descobriu minha toca secreta no blog — mas também não espere glamour, é só poeira e as mesmas ideias.

Seja bem-vindo(a) ao que quer que isso aqui seja.

Eu só tô tentando não sumir.

E, estranhamente, é mais fácil fazer isso quando alguém acredita que você tem algo pra dizer.

(Sarah, você que lute — a culpa é sua.)

 
 
 

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